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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Urbano a presidente


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O tour-de-force que, nas redes figueirinhas do Face-Book, tentou impor Urbano Pinto, o bobo da corte noctívaga local, para rei do carnaval não logrou sensibilizar os doutos decisores do grande turismo da praia da Claridade. Estes não o julgaram com dignidade suficiente para tão circunspecto evento. Em tempo de crise e em vez de um autêntico bobo preferiram um simples idiota, embora cínico mas bem mais mediático que, para gáudio alarve da populaça, em troca de uma soma pornográfica não se importou de fazer de bobo pelo tempo de um desfile, ou dois.
Confesso que o que inicialmente me pareceu uma bem-humorada pândega para debochar o patético entrudo figueirinhas, o movimento “Queremos Urbano Pinto a rei do Carnaval”, depressa se revelou algo muito mais sério – sem ponta de graça – uma espécie de movimento fundamentalista bastante abrangente (chegou a juntar seiscentos e tal laiques) em defesa acrisolada da pureza imaculada dos valores regionais figueirinhas e da genuinidade imbecil do seu rei mômo contra os perversos reis mômos vindos de fora, pagos a peso de ouro pela  malvadez corrompida dos malvados decisores da Figueira-Grande-Turismo.
Ou seja, o que no princípio me parecia sinal de algum sentido de humor enfim, de alguma vida inteligente, depressa se revelou um fórum de labregos semi-analfabetos e envaidecidos da sua hereditariedade. Fui descomposto por uma menina analfabeta de apelido sonante e consoantes dobradas que se sentiu ultrajada por que lhes chamei “pândegos” e por achar que “caralho” é um palavrão. Enfim, fiquei elucidado sobre o género de causa que mobiliza a cidadania figueirense nas redes sociais.
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Agora contudo que o carnaval das autárquicas se aproxima, já se perfilam as habituais candidaturas que, como de costume, propõem natural e alegremente mais do mesmo ao bom povo que aprecia obra feita, merdas bonitas, sorrisinhos fótóxope, carnavais sérios, aventais de plástico e reis mômos impantes de dignidade.
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A mais idiota de todas estas candidaturas é porém a do santanéte Miguel Almeida. Miguel, como eu penso que demonstrei aqui e aqui, não é um simples idiota. É um autêntico cretino, um verdadeiro asno. Um profissional, portanto. Para aferir isto, nada melhor do que ver como ele se expressa, por escrito. Por exemplo, no seu blogue. Fui ver e, para além de um voluntarismo ingenuamente bacôco e egomaníaco, o seu discurso bisonho e paroquial está repleto de lugares-comuns, alguma esperteza saloia, imensas banalidades e erros ortográficos: logo no post mais recente fui agredido pela “metrologia”, que me impediu de o ler até ao fim. Combalido, ainda tentei ler o seguinte mas desisti quando fiquei a saber da “primeira vez” que conheceu Pedro Santana Lopes porque deduzi que a vida social do pobre diabo deve ser um tanto entediante, de repetitiva.
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Foi então que cheguei à conclusão que não compreendo porque uma populaça - que acha que a seriedade do carnaval e a dignidade do rei mômo são uma questão de prestígio regional, que se queixa dos políticos mas não vê alternativa credível ao rotativismo repetitivo e que já elegeu uma anta como Miguel Almeida vereador e até deputado* - não elege Urbano Pinto para presidente.
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Com um verdadeiro bobo a presidente, a animação seria permanente. Mais simples sei lá, mais pura. Mais autêntica. Sem o cinismo velhaco e pretensioso deste género de idiotas.
Agora sim, faria sentido uma vaga de fundo – no Face-Book ou ailleurs -que levasse o pobre Urbano ao lugar – esse sim - que lhe é devido, com todo o merecimento.
O non-sense faria enfim algum sentido.
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*deputados são uns senhores que propõem, discutem, aprovam e redigem as leis porque a populaça se rege.
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