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segunda-feira, 24 de julho de 2017

o jovem turco

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Hugo Soares foi eleito presidente do grupo parlamentar do Pêéssedê. Apesar de ser candidato único não fez o pleno entre os seus iguais - num universo de 89 votantes, houve 12 que votaram branco e até um que votou nulo. O jovem Hugo sucede assim a outros vultos, como este e este, da nossa plítica.
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Huguinho é muito jovem mas tem ideias muito antigas. Tornou-se conhecido por ter proposto a realização de um referendum ao direito dos homossexuais à adopção. O jovem turco acha mesmo que todos os direitos humanos devem ser referendados - isto é, devem depender da boa-vontade de uma maioria circunstancial de cretinos.

Mas o jovem otomano de Braga também defende, por exemplo, o fim da educação e da saúde tendencialmente gratuitas (uma ideia estapafúrdia metida a foice e a martelo na Constituição e aprovada inadvertidamente pelo pai fundador do partido). Neste e noutros assuntos Huguinho e a jovem guarda do partido das setinhas para o ar seriam com certeza acompanhados plo cónego Melo, outro bracarense dos quatro costados, plo arcebispo Eurico Dias Nogueira em pessoa e até por todos os prelados do século dezassete pra trás e pra diante.
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A coisa, por tanto, promete. Os jovens turcos matam o pai por que se identificam mais com os egrégios avós. Mas digam lá que não há qualquer coisa de pifiamente freudiano nisto tudo.
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quinta-feira, 20 de julho de 2017

O candidato dos batráquios

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Ao contrário de outros povos em cujas idiossincrasias a estupidez e a presunção de superioridade encontram formas ostensivas e até orgulhosas, os portugueses desenvolveram a mais cobarde, dissimulada e hipócrita forma de racismo que eu conheço. Verdadeiramente repugnante.
A jovem realizadora de cinema Inês Teles deu a ver a todo-o-mundo este curioso racismo em-forma-de-assim, retintamente português. Corajosa e magistralmente, numa curta de apenas onze minutos, deu-lhe a forma de um batráquio – aludindo ao costume (ou tradição?) de prantar um sapo de louça à entrada de casas ou estabelecimentos com o objectivo de desencorajar a presença de ciganos - para quem o animal (ou a sua simples representação) tem uma conotação aziaga, repugnante.

André Ventura é o jovem comentador de bola do correio da manha que é candidato à câmara municipal de Loures plo Pêéssedê. O seu discurso inflamado encanta todo este bom-povo de tão bons e idiossincráticos costumes. Ventura diz-lhes em alta-voz tudo o que eles gostam de ouvir mas nunca ousam articular, salvo sob anonimato, na caixa de comentários do correiodamanha.
Apóstolo do benfiquismo, biógrafo oficial do Luis Filipe Vieira, primo de Pedro Guerra e afilhado de Rui Gomes da Silva, Ventura até escreve livros a quatro mãos com a taralhóloga Maya - mas não é um águia, é um batráquio - um batráquio que é porta-voz do trumpismo saloio e candidato natural dos batráquios.
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terça-feira, 18 de julho de 2017

Isaltinar

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O candidato à Câmara Municipal de Oeiras disse a um jornal que, e cito textualmente: “a prisão deixou-me ainda mais preparado para ser autarca”. Assim. Nem mais nem menos.
Ora tomando como certo que foi a sua actividade como autarca-modelo que o deixou preparado para a cadeia, também será legítimo supôr que, caso seja eleito isso deixá-lo-á ainda mais preparado para voltar de novo à Carregueira, como detido-modelo. E assim sucessivamente.

A vida de Isaltino é um circulo – vicioso; ou virtuoso, dados os seus pruridos de perfeccionismo e de excelência.
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

o medina e a meca

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O tremendismo está mais pobre. O seu profeta, Medina Carreira, bateu, enfim, a caçuleta.
A Figueira da Foz e o seu casino, onde ele achava púlpito para o seu materialismo místico, também a devem ter a meia haste. Já lhes dediquei duas postas; aqui e aqui (a Medina, à Figueira e ao seu casino).
De Medina nada mais tenho a acrescentar.

Quanto ao Casino da Figueira, fiquei a saber que se trata do mais antigo estabelecimento do género na Península Ibérica (com a sua licença de jogo em vigor desde 1927, na altura, ainda não como casino). E que “é constituído pelo Salão Cafée, também chamado de Salão Nobre, por camarins, para os actores ou actrizes prepararem-se para entrar no Salão Cafée e pelas salas dos jogos do casino”. Além disso, segurem-se, “sofreu grandes alterações: grande parte da parede exterior do edifício era em mármore e agora, recuperado, é em vidro”. A fonte, impagável, destas preciosas informações é um artigo, em esboço e em forma de redacção do menino zéquinha, sobre construção civil, na wikipédia.

Quanto à Figueira, também vai de vento em popa. Depois de aprovar o pêdêéme e o sem número habitual de avenças e ajustes directos, continua a festejar a preguiça, no âmbito do pugrama com o mesmo nome. Com pimba, pompa, circunstância e entrada livre.

Que descansem em paz.
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domingo, 25 de junho de 2017

Judite, o inferno e a merda


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Este podia ser o retrato de Sebastião Pereira, pseudónimo português do jornalista Jacinto Leche Acá Por El Riego, o tímido - ou modesto, vá lá -, enviado especial do jornal espanhol El Mundo ao inferno de Pedrogão Grande, mas não é.
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Trata-se da conhecida jornalista Judite de Sousa. Judite também foi a Pedrogão Grande, em reportagem, mas para a TVI. E tornou-se notícia porque se fez filmar, em directo para o seu publicozinho, ao lado de um cadáver. O que torna no entanto a coisa chocante não é apenas a exibição do cadáver. É o facto de Judite ter mentido ou distorcido os factos, lançando sobre os bombeiros uma mais do que vaga suspeição de que andavam por ali algures na pândega: Está um corpo aqui ao meu lado, de uma senhora, que ainda não foi recolhido, apesar de os bombeiros se encontrarem muito perto deste local”, dizia ela, ao lado de um corpo já piedosamente coberto com um manto branco num espaço devidamente circunscrito.
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Judite pratica com as mãos ambas, e os pés, aquele tipo de jornalismo que dá que falar. Não pelo assunto de que fala mas pelo modo como fala do assunto. Para ela todo o assunto se torna pessoal, emocional, levado ao sentimento. Judite espreme-o sempre até ao tutano para que dê mais molho, sempre mais e mais repugnante. Não tem nada que ver com objectividade; é apenas mórbido, além de estúpido.
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Além disso, Judite é uma jornalista que é, ela própria, imensamente mediática. Não há nada da sua vida privada (os seus casamentos, divórcios, namoricos, funerais e outras festas, viagens de férias, testamentos, etc, etc.) que ela não partilhe com o grande publicozinho que se interessa por assuntos de merda, através da imprensa especializada na matéria.
Judite é uma jornalista-vedeta. Não sei se estão a ver, aquele género de jornalista que, muito mais do que entrevistar, gosta de dar entrevistas. Enfim, de dar nas vistas. O que faz dela um caso exemplar de - como dizê-lo de outro modo? - autêntico jornalismo de merda. Tal como o inefável Sebastião Pereira e o jornal El Mundo, por supuesto.
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

o coro das velhas

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A Figueira não tem Arte Nova nem ovos moles, como Aveiro; nem Arte Urbana e o Grão Vasco como Viseu; Nem biblioteca joanina e Machado de Castro, como Coimbra; nem castelos, como Montemor e Leiria; nem Woolfest como a Covilhã; nem expofacic como Cantanhede; nem palheiros como a Costa Nova; nem jardins como o do Paço Episcopal de Castelo Branco, o Botânico de Coimbra ou o Budha Eden do Bombarral; nem bicicletas como Águeda; nem vinhos como a Beira Interior, a Bairrada e o Dão; nem cerejas como o Fundão; nem queijo como a Serra de Estrela, nem chanfana e leitão como a Bairrada.
A bem dizer, a Figueira não tem porra nenhuma – não possui património histórico ou artístico e não produz a ponta de um chavelho - a não ser o areal mais comprido da Europa. Segundo o circunspecto site do Turismo Centro de Portugal, não há nada que realmente interesse na Figueira da Foz. Ou seja, a Figueira da Foz é, e isto é mais ou menos pacífico, um verdadeiro oásis na zona centro.

Igualmente desprovida de cultura gastronómica (não tem sequer um prato típico ou um doce característico) a Figueira tem, no entanto, Rosa Amélia. Sim. A Figueira tem Rosa Amélia que, por sua vez, tem um restaurante. O mundo inteiro e a própria Figueira sabem-no através da televisão. Sim, porque Rosa Amélia é um fenómeno televisivo. Não há porra de programa de TV que seja transmitido em directo desta choldra que não se socorra (certamente aconselhado pela entidade ligada ao turismo) da iniludível, incontornável e inefável presença desta figura. Os clientes do mercado municipal sabem que sempre que Rosa Amélia ocupa o seu posto na banca de peixeira é porque as câmaras da televisão estão a chegar. Os tele-espectadores de todo o país já todos conhecem da trás para a frente a sua estória de vida, a estória da sua vida, o seu pregão, o seu turbante, os seus aventais, o seu peixe, o seu marisco, o seu sacrificado empreendedorismo, as suas chinelas, o seu restaurante. E agora até o seu hobby, o surf. Nem mais, que Rosa é uma peixeira surfistinha. Um verdadeiro ícone local.

Mas a Figueira tem outras figuras que ganham vida diante de uma câmara de tv. Igualmente icónicas, digo eu. O país inteiro e eu, que no passado Sábado à tarde não mudei de canal logo depois do sonolento Rússia-Nova Zelândia, assistimos inermes, em directo da Figueira e entre dois números musicais pimba, à habitual performance de Rosa Amélia anunciando o seu restaurante - mas também, estarrecidos, à revelação de outra dessas figurinhas; isto é, ao nascimento de mais uma estrela no firmamento figueirinhas.

Outra velha. Mais feérica, exuberante e insinuante ainda do que Rosa Amélia, e igualmente assertiva a vender o peixe. De cabelo vermelho e atitude encarniçada a condizer, Conceição Ruivo (é esta a sua graça, registem) perseguia insistentemente a pobre apresentadeira do canal 1 da RTP pela esplanada, ora mostrando-lhe as maravilhas da sua arte (a senhora é artista): um incrível bricabraque de coisas coladas numa tela e uma outra com azulejos bordados e rendas pintadas (ou vice-versa, não percebi bem), ora anunciando-lhe coisas de si própria - que preside à “maior associação de artistas do país”, que vai fazer “uma bruta” exposição pró ano no CAE e tal, e que patati e patatá vai escrever um livro erótico e tudo.


A Figueira não tem nada que realmente atraia o turismo ou a simples curiosidade. Ninguém se desloca de propósito à Figueira para ver a torre do Relógio ou o penico do Jordão, ou a rotunda do farolito, ou qualquer uma das suas rutilantes urbazinações ou das gandes supefíces licenciadas recentemente pla autarquia. Mas tem figuras realmente bizarras. Podia montar um circo. 
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