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sábado, 18 de novembro de 2017

aF293

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Esta posta é dedicada ao inefável deputadinho municipal do partido Socialista e colunista das Beiras José Fernando Correia e a Rui Duarte, não menos inefável jovem quadro do mesmo partido e nóvel administrador da Figueira Dómus.
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sábado, 11 de novembro de 2017

os anjinhos caídos

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O meu amigo Agostinho achou o novo Calisto Elói da plítica figueirinhas. Um anjo caído. Trata-se de Rui Duarte, o socialista que terá alegadamente trocado uma candidatura rebelde à Junta de Buarcos - S. Julião por um cargo de gestor executivo na Figueira-Domus. Agostinho associa-o à personagem camiliana por ver nele alguém que supostamente encarnava os "valores autênticos"(!) do socialismo figueirense(!) e se despenhou desamparado no lodaçal perverso e sórdido da real-politik figueirinhas. Para Agostinho, a "sua ilusória ascensão, não é mais do que a sua queda politica e, com ela, a desilusão de muitos que depositaram em Rui Duarte a esperança de uma lufada de ar fresco" na plítica cá da choldra.
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O caso pode porém não ser tão óbvio e literal ao plot camiliano mas é, decerto, igualmente farsola e patusco. Tem que ver com percepção errada e expectativas elevadas.
A verdade é que Rui Duarte pode não ser nenhum anjo e pode nem sequer ter caído, excepto em tentação. Isto é, ele pode ser simplesmente um típico português, um homem comum, um figueirense de lineu: alguém que, muito prosaicamente, sem ingenuidade nem inocência, prefere um penacho na mão do que outro a voar. Fiz-lhe o retrato, quase-robot porque é um caso-tipo, para o meu Album Figueirense, embora os anjinhos caídos desta estória sejam outros.
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Mas a estória foi assim: cansado de se ver sempre relegado para segundo plano por um ex-pescador reformado e semi-analfabeto, o arquitecto Rui Duarte terá decidido avançar - tornando pública a vontade de se candidatar à Junta - contra o preferido pelo aparelho do seu partido. Este, receando perder uma eleição onde os votos se dispersariam por duas candidaturas irmãs, resolveu a coisa de uma penachada: oferecendo-lhe uma sinecura numa empresa camarária em troca da desistência da candidatura (uma saída de sendeiro, mas para cima). Perante isto, Duarte fechou a boca e agarrou o penacho com as mãos ambas - o homem comum, como dizia Sir Herbert Read, "não assalta a bastilha onde a beleza está em clausura. Tem senso prático, como se costuma dizer".
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É aqui que entram as altas expectactivas. A ascenção de Duarte (nada ilusória, muito real, meu caro Agostinho) foi, certamente, a sua queda – apenas em tentação - mas foi sobretudo a queda dos “muitos” que queriam ver nele mais do que um figueirinhas comum a fazer pla vidinha. Cairam abrupta, brutal, aparatosamente, desamparados na real - os anjinhos.
A moral desta estória é que existem mesmo anjinhos caídos. E são socialistas; e figueirinhas, claro. Mas nenhum deles é o nóvel administrador da Figueira-Domus
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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Sérgio Amaral

Acredito que a faculdade estética foi um meio de que o homem se serviu, primeiro para adquirir, depois para  aperfeiçoar a sua consciência. A forma, a organização progressiva dos elementos que de outro modo seriam caóticos, é dada na percepção. Ela está presente em qualquer habilidade - a habilidade é o instinto da forma que se revela na acção. 
Para além deste nível fisiológico e instintivo, todo o progresso na evolução humana dependeu sempre da realização de valores formais.
A realização de valores formais é a actividade estética. A actividade estética é biológica na sua natureza e funções; e a evolução humana em particular, no que constitui uma excepção, diferencia-se da evolução animal pela posse dessa faculdade. 
Herbert Reed, in A Filosofia da Arte Moderna

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É de uma perversa e triste ironia que o trabalho da vida de um mestre das artes de dominar o fogo de forma criativa seja destruído em minutos pelo mesmo fogo, estúpido, brutal e descontrolado. 
Os recentes incêndios que devastaram o país não pouparam quase nada. Atingiram também violentamente e devastaram a casa-atelier e as colecções do escultor e ceramista Sérgio Amaral, em Stª Luzia, Mangualde. 
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O Sérgio é um dos mais notáveis ceramistas portugueses da actualidade. Artesão cônscio de uma longa tradição popular (conhece bem, e pratica-a ainda, a antiga técnica da “soenga” que é a arte de cozer o “barro negro” da sua terra natal), Sérgio aprendeu também a trabalhar a roda e as modernas técnicas do raku e da redução, o que faz dele um técnico competente, condição que, aliada a uma irreprimível imaginação, o transformam num formidável artista criativo.
Os seus poderosos matarrachos, aparentemente de uma ingenuidade de “cunho popular”, são seres fabulosos que, ainda que ele afiance que lhe vêm da memória, transbordam de uma nonchalance premeditada, de um humor bizarro e atrevido e de um nonsense por vezes delirante.
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Sérgio fez, no FaceBook, um apelo lancinante à aquisição de obras do seu acervo (que tinha a salvo, noutros lugares) para que possa reconstruir o seu belo espaço, (que visitei no Verão do ano passado, quando lhe ofereci o desenho reproduzido acima - o seu retrato com um dos  matarrachos).
Existe também uma petição na net, para que chegue ao maior número de pessoas possível e dessa forma o Sérgio consiga vender algum do seu trabalho e assim recuperar o equipamento consumido pelo fogo e, tão breve quanto possível, retomar o seu labor criativo. 
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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Crónica de um mujimbo, dois mistérios e uma entorse

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Ontem à noite fui à Assembleia de Freguesia de Maiorca, à tomada de posse dos eleitos nas últimas eleições autárquicas. A coisa foi abrilhantada com a presença emérita de notáveis vindos expressamente da sede do concelho: dois vereadores, o presidente da assembleia municipal em pessoa e inúmeros deputados municipais. O modesto salão da Junta rutilava, opíparo de eminências. O novo presidente da junta, Rui Ferreira, partilhou com o vasto público que se dignou ir também assistir que ontem foi o primeiro dia do resto da vida dele. Também confessou, em voz alta para toda a gente ouvir, que ocupa agora o cargo com que sempre sonhou. Digam lá que não é lindo, estas coisas não se inventam, eu assisti mesmo a isto. Rui Ferreira, eleito nas listas do PS, está agora sentado na sua cadeira de sonho
E, no entanto, nada disto era para ser assim. Foi o que se pôde arranjar. Eu explico, ora leiam por aqui abaixo.
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O favorito para encabeçar as listas do PS por Maiorca era Filipe Dias, o presidente da junta cessante, eleito duas vezes consecutivas plo PSD. Segundo o mujimbo que corre pla terra, o bravo Filipe teria mesmo sido pressionado plas altas esferas da cãmbra muncipal e como recusou (Filipe terá achado que parecia mal seilá mudar de casaca - não perguntem porquê pois por vezes, como referiu o grande Chico Buarque, até as putas têm seus caprichos) terá sido veladamente ameaçado com a possível periclitância do empreguinho da esposa na Câmara Municipal e constrangido a contentar-se com um lugarzito não elegível nas listas do PSD, encabeçada agora por aquele que foi durante oito anos, o seu vice, Sérgio Gil. São episódios destes, assim edificantes, que nos fazem devanear na plítica como uma actividade eminentemente nobre.
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Enfim, idos a votos, a coisa acabou com a vitória do PS por poucos votos e um empate em eleitos com o PSD. A Assembleia de Freguesia ficou constituída por quatro eleitos do PS, quatro do PSD e um da CDU. Chegado o dia da tomada de posse, o elenco do executivo de Rui Ferreira foi aprovado com visível entusiasmo e alegre bonomia por todas as bancadas excepto pela da CDU que votou contra porque não vai em grupos. Sérgio Gil, o cabeça de lista do PSD, tomada a palavra, garantiu mesmo que não vai estorvar, o que segundo os seus requintados padrões de linguagem quer dizer, mais coisa menos coisa, que não vai fazer oposição. Os próximos quatro anos poderiam assim ser um passeio para Rui Ferreira, sei lá, como deus com os anjos - não fora a  população de Maiorca ter eleito um representante da CDU.
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Contudo, a razão para tão estranho e pacífico acordo, com certeza previamente cozinhado com muito môlho, logo depois de tão encarniçada campanha, estará talvez no legado de Filipe Dias. 
O seu mandato de oito anos foi desastroso. Além de esbardalhar completamente o legado do seu antecessor, Filipe Dias não fez nada que jeito tenha. Começou logo por dois atentados ambientais: a demolição de um bosque de eucaliptos centenários no Parque do Lago e a poda/serração dos plátanos da Feira Velha (que lhe valeram a caricatura e o post que então lhe dediquei neste blogue) e acabou a permitir outro, este perpetrado pela Câmara Municipal: o arraso do carvalhal (o carvalho, meus senhores, é uma árvore protegida) do campo de Futebol. Entretanto ainda teve tempo de crivar a junta de dívidas em indemnizações e multas por não ter pago as contribuições devidas a dois funcionários e por vender património edificado abaixo do seu valor. A única, a verdadeira prioridade da gestão de Filipe Dias foi a Findagrim. É esse o seu legado.
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A Findagrim, a pretexto de ser uma feira de actividades económicas da freguesia, não passa, na verdade, de um festival anual de música pimba que faz de Maiorca, uma vez por ano e por meia dúzia de dias, uma meca para todos os labregos da região e seus contornos. Um mau negócio que além de despesa e muito trabalho não-remunerado de fregueses tão voluntariosos como ingénuos, não traz nenhuma vantagem à junta, nem proveito ao comércio local, nem prestígio a Maiorca -  mas que deve ser, só pode, um negócio-da-china para a obscura comissão que a organiza e da qual, estranhamente ou talvez não, o novo executivo parece também querer fazer parte. 
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O deslindar deste mistério (e também o da súbita paz dos anjos entre o anterior e o actual executivo) depende exclusivamente do desempenho de José Maia Azedo, o eleito da CDU. Com os eleitos do PSD metidos num bolso, é a ele que cabe fazer perguntas, exigir respostas; enfim, ser oposição.
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Não fora eu, a caminho da Junta de Freguesia, ter caído e ter ficado estendido ao comprido, de cu para o ar junto ao muro do Paço, tendo passado toda a sessão cheio de dores com uma entorse e ter-me-ia divertido com este preâmbulo dos próximos quatro anos. Mas cheira-me que ainda nos vamos divertir quanto baste. Eu e o Maia Azedo. E no que me diz respeito é sempre agradável, duplamente divertido, ter, grátis, tanta matéria-prima para caricatura.
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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O sucialismo demucrático

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Então é assim:
a ADSE, em Janeiro deste ano, foi transformada em instituto público, com um regime especial e gestão participada, sendo um dos seus órgãos o Conselho Geral e de Supervisão.
No passado dia 19 de Setembro procedeu-se à eleição do Conselho de Supervisão.

Digam lá que não é lindo. O triunfo do sucialismo demucrático. Vamos a votos e depois ganha quem perde.

Não é tão lindo e exemplar como na Coreia do Norte ou na Guiné Equatorial onde, diga-se, invariavelmente só existe uma lista que invariavelmente vence porque ganha. Mas é exactamente como nos Estados Unidos da América, essoutro farol da demucracia, onde quem perde a eleição é escolhido para presidente. Lá, como cá, como se vê, os losers são os campeões.

Assim, João Proença, o repolhudo e amarelo ex-secretário da UGT - organização de trabalhadores que assinou de cruz todos os acordos de concertação social com todos os governos, mesmo os mais reaccionários, desde o o 25deNovembro - prepara-se para assumir funções de acompanhamento, controlo, consulta e participação na definição das linhas gerais de actuação da ADSE.

Contentes? Ainda agora começou.
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sábado, 30 de setembro de 2017

Liberdade para Ramón Esono

(Esono na sua prancheta, em Julho deste ano)
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O pintor e desenhador de humor gráfico Ramón Esono Ebale foi detido na capital do seu país, a Guiné Equatorial, e levado para uma prisão conhecida popularmente pelo sugestivo nome de Guantánamo, onde está incomunicável desde então. 
Sem acusação, sabe-se que foi abundantemente interrogado a propósito de uns quantos desenhos onde retrata o seu inefável presidente (que eu próprio já retratei aqui) nas mais variadas posições


parece que as autoridades de Malabo são particularmente sensíveis à difusão destes bonecos pla internet - e em estórias ilustradas igualmente eloquentes, como esta, por exemplo:



Como se trata de um país irmão, membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e tudo, espero que a todo o momento, o nosso presidente da República se manifeste a propósito e o nosso ministro dos estrangeiros também tenha algo enfim a dzer, em português já agora, ao embaixador do país do senhor Obiang. Enfim sobre liberdade de expressão e essas merdas.
Cá por mim, como não gosto que alguém seja incomodado por dizer e escrever e desenhar o que pensa, estou solidário com o bravo Ramón Esono.
E vós que me visitais, se por acaso também estais, fazei como eu, o que o senhor Obiang não gosta: repliquem os desenhos de Esono na internet.
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sábado, 23 de setembro de 2017

O gigante e os anões

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Este ano, na Figueira, o dia da cidade coincidiu com um dia normal de campanha eleitoral. O geniozinho imbecil que coordena a campanha autárquica do Partido Socialista na Figueira da Foz deve ter tido uma erecção. O seu cerebrozinho de apenas um neurónio fez tilt (terá mesmo ejaculado, ou evacuado, por qualquer das extremidades) de auto-satisfação, por ter notado a feliz coincidência. E, num lampejo de esperteza saloia, arresolveu assinalá-la com uma série de inaugurações, entregas de prémios e homenagens públicas a personalidades locais. É verdade, a Câmara Municipal não arranjou melhor oportunidade para homenagear o escultor Gustavo Bastos, o escritor João Gaspar Simões, o arquitecto Isaías Cardoso e o político e advogado Luís de Melo Biscaia.

Por mero acaso assisti à que foi prestada a Luís de Melo Biscaia. Tratava-se de dar o seu nome ao largo onde teve o escritório de advogado por mais de quarenta anos.
Foi assim. Ia eu muito descansado a passar pla rua da República quando reparei, em frente ao Café Nau, num ajuntamento inusitado de engravatados. Logo depois, lobriguei a presença das duas corporações de Bombeiros. Juntos, os Municipais e os Voluntários. Hmm. Farpelas de gala. Estandartes ao alto. Hmm, pensei eu baixinho, aqui há coisa. Acerquei-me. Deparei, entre os mirones, com algumas caras conhecidas. Deixei-me estar. Mirei. E não gostei.
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Suponho que o próprio Melo Biscaia também não teria gostado.
Apesar do belo, digno e emocionado discurso do seu filho Pedro, Melo Biscaia teria com certeza torcido o nariz à ideia peregrina de ver o seu nome servir de pretexto para um tão óbvio como reles aproveitamento político em campanha eleitoral.
Mas o pior veio depois. Melo Biscaia, se tivesse assistido a tão penoso sacrifício teria, sem dúvida, franzido o sobrolho e arranjado motivo para se despedir à francesa, embaraçado, para ir fumar uma das suas longas cigarrilhas bem longe dali.
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A pièce de resistance da pepineira em questão foi o discurso imbecil e desastrado, repleto de gaffes e partes gagas improvisadas a despropósito, do presidente da Câmara. É realmente impressionante como alguém, nitidamente despreparado, em discurso oficial e cerimónia solene, consegue na mesma frase chamar general ao marechal Norton de Matos, confundi-lo com Humberto Delgado, trocar 1949 por 58 e na frase seguinte, atribuir a paternidade do homenageado ao seu tio Severo Biscaia. 
É bem verdade que por mais que se encoste a um gigante, um anão nunca lhe tira o sol. Mas eu, que não tinha nada que ver com aquilo, senti-me envergonhado. Imagino como se sentiu a família. Há homenagens que são enxovalhos. Melo Biscaia merecia mais. Muito melhor.
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Breve declaração política

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Embora há anos tenha participação política activa emprestando o meu nome a uma candidatura (sempre a mesma, a CDU, Coligação Democrática Unitária), esta é contudo a primeira vez que, levado pelas circunstâncias, me vejo (e ao meu nome) numa posição ou lugar elegível. Este dado, assim adquirido, também me dá mais responsabilidades. É neste contexto que, agora que se inicia a campanha eleitoral, encaro como útil a publicação de uma declaração de princípios. Que é também a primeira promessa eleitoral que faço na minha vida. Faço-o no meu blog e na minha página do Facebook, que são os meios que tenho, confiando na viralidade das redes sociais para a sua justificada repercussão.

Declaro que não sei quem fez isto (o que a foto documenta). Nem quero saber. Considero no entanto que, ao contrário do que por vezes se diz e alardeia,
 a sociedade civil existe mesmo. Mesmo em Maiorca existe alguém que se importa. 
E importa-se ao ponto de se tirar dos seus cuidados e fazer este notável manifesto gráfico de uma evidência que nos envergonha a todos.

Declaro mais, solenemente, que, se eu for eleito e a lista que represento vencer as eleições, esta placa tão veementemente pichada ficará em exposição permanente, para opróbrio dos responsáveis, o tempo que for necessário - até à conclusão definitiva das obras de recuperação do Paço de Maiorca.

Declaro ainda que só então, recuperada a dignidade de um património único no concelho, a placa será retirada (e para um museu, de memória histórica).

Vale,
Fernando Campos

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sábado, 9 de setembro de 2017

A cavaca da saúde

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Ana Rita Cavaco é bastonária de uma coisa em forma de assim, a Ordem dos enfermeiros (foi eleita à segunda volta numas eleições com 87,65% de abstenção). Já foi governante (adjunta do secretário d'estado da saúde do XV Governo Constitucional, liderado por Durão Barroso). Presumo que até tenha sido escuteira, menina de coro ou acólita e até tenha participado em imensas e glamorosas acções de voluntariado.
Recentemente apoiou, com as mãos ambas, e a pés juntos, uma greve de zelo por tempo indeterminado (leram bem) nos hospitais públicos, decretada por dois sindicatos de enfermeiros.

Muito haveria que dizer sobre a greve de zelo
Para o escritor Rui Cardoso Martins, por exemplo, “A greve mais estranha é a greve de zelo, que é esquizofrénica: distorce o direito à greve, o direito ao trabalho e, por assim dizer, o próprio Direito do Trabalho, há uma hilariante legislação para a explicar: "O abrandamento da actividade produtiva pela aplicação minuciosíssima, literal e chicaneira dos regulamentos existentes", escreve o prof. Bernardo da Gama Lobo Xavier. Isto é, "não há propriamente uma abstenção da prestação do trabalho, mas a sua aplicação em termos anormais". Imaginem o funcionário da alfândega abrindo as malas de todos os passageiros,conferindo os pêlos da escova de dentes, etc. Quando certos profissionais "resolvem dar um funcionamento rígido aos regulamentos dos serviços, causando assim enormes atrasos". A greve de zelo, portanto, não é ir para o trabalho e não fazer nenhum, é fazer de mais. As coisas param de tanto funcionar.”
Já para mim, a greve de zelo é, simplesmente, a greve dos cobardes e dos sonsos. A greve dos que não têm tomates para parar o trabalho e dizer em voz alta: não faço isto a não ser que me paguem mais. É a greve dos merdosos.

Mais palavras para quê.

Ah, esta cavaca também pertence a outra coisa, esta em forma de assado: ao Conselho nacional do PSD, eleita nas listas de Passos Coelho. E agora também, claro, à minha galeria de caricaturas do rosto da classe dirigente.
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